domingo, 6 de dezembro de 2009

A Neve Caía Sobre Paris


Quando acordei fui para o pé da minha janela ver a neve a cair e a derreter sobre o chão da Avenue Foch. Era o primeiro ano que eu passava sozinha em Paris. Tentava constantemente esquecer-me de que era Natal, para não sentir tanta angústia de estar só. Era muito triste passar o Natal, sozinha, sem a minha grande família.
Paris nesta época era capaz de ser a cidade mais bonita que já tinha visto!
Viam-se poucos carros na avenida. Estava toda a gente dentro das suas casas a festejar o dia de Natal.
Os meus pensamentos foram interrompidos pelo barulho estridente do meu telemóvel a tocar. De novo? Passara a manhã toda a tocar! E sempre que ia ver o remetente, eram familires ou amigos. Diziam sempre quase todos a mesma coisa:
- Estás bem? Porque é que nunca mais atendias o telemóvel? Não fiques triste, vais ver que para o próximo Natal ou vens tu a Portugal ou vamos nós ai! - era o meu irmão mais velho.
- Oh, não se preocupem, eu estou bem… - menti.
- Sabes? Mentes muito mal, miúda. Mas já sabes se precisares… - e deixou a frase a meio.
- Sim eu sei! Obrigada! - disse tentando tranquiliza-lo.
- Olha miúda, tenho que desligar… Já sabes que ligar para ai fica caro! Beijinho. Porta-te bem. Nada de noitadas… - avisou, dando uma gargalhada.
- Não te preocupes, eu porto-me bem. Beijinho. - e desliguei.
De todas as más experiencias que tinha passado, esta estava sem dúvida no top das 10. Nunca mais queria passar o Natal, sozinha, nem mesmo que fosse numa das cidades mais bonitas que alguma vez conhecera. O Natal sem a família era muito triste.
As horas iam passando, Paris ia anoitecendo, á medida que a neve caia. E eu continuava sentada no cadeirão, com a lareira acesa.

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