A história de vida de um pedinte
No outro dia, ia eu a passear junto à Roda do Mouchão, quando vi um grupo de crianças a brincar, talvez fosse o jogo da macaca ou um semelhante. Sim, ainda hoje, conseguimos encontrar crianças a jogar à macaca. Mas, o que me chamou mais a atenção não foi o grupo de crianças a jogar à macaca, foi sim um senhor alto, de cabelos compridos que, tristemente, abordava quem passava, pedindo dinheiro.
Era um dia quente, alegre. Porém, a tristeza evidente na face daquele homem rapidamente me deu alguns arrepios, talvez fosse de frio ou até mesmo de compaixão.
Decidi sentar-me num banco daquele jardim. Depois, pensei que, se estivesse ali sentada e deprimida não ia melhorar aquilo que considerava uma desigualdade social. Então, levantei-me e fui falar com ele:
- Boa tarde! – Saudei-o eu.
- Boa tarde, menina. Não quer dar uma moedinha para eu comer qualquer coisa? – Perguntou ele.
- Talvez, mas primeiro quero falar um bocadinho consigo, conhecer a sua história de vida. Conte-me! – Incentivei-o eu.
- Quer falar comigo? Há quanto tempo é que ninguém me diz que quer falar comigo… Sabe, eu viva bem, era um rapaz solteiro, até que comecei a frequentar o casino… A partir do primeiro dia em que o fiz, fiquei viciado no jogo. Destruí toda a herança dos meus pais naquilo… Agora para comer, tenho de pedir – declarou ele com um ar abatido.
Confesso que fiquei extremamente comovida. Fiz um esforço enorme para suster as lágrimas. É óbvio que lhe dei dinheiro, dei-lhe todas as moedas que tinha.
Regressei a casa. De vez em quando, ainda me vem à memória aquele homem de longos cabelos que nunca mais voltei a ver.
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